Mercenárias

Poucas bandas carregam um legado tão fundamental para a identidade do rock alternativo nacional quanto As Mercenárias. Formada em 1982, no coração da efervescência cultural paulistana, a banda liderada pela baixista Sandra Coutinho tornou-se um símbolo de resistência e vanguarda. Com canções diretas e viscerais, o grupo ajudou a definir a estética do post-punk no Brasil, provando que a força de uma mensagem pode ecoar por décadas com a mesma intensidade de sua estreia.

A trajetória das Mercenárias é marcada por momentos que moldaram a cena independente. Desde o icônico álbum de estreia Cadê As Armas? (1986), lançado pelo selo Baratos e Afins, até a passagem pela major EMI-Odeon com o disco Trashland (1988), a banda sempre manteve a sua essência provocadora e livre de concessões. Após um hiato que levou Sandra Coutinho à Europa, o grupo retomou as atividades em 2005, impulsionado pelo reconhecimento internacional e pela influência confessa sobre novas gerações de artistas que encontraram no som das Mercenárias a coragem para a experimentação.

Atualmente, o grupo apresenta-se com o vigor de quem compreende que o rock é, acima de tudo, uma ferramenta de comunicação e atitude. O espetáculo revisita hinos que atravessaram gerações, mantendo a sonoridade crua e as letras que questionam as estruturas sociais com inteligência e ironia. No palco, a presença magnética de Sandra Coutinho reafirma a banda não apenas como uma referência histórica, mas como uma força criativa pulsante e necessária para o cenário atual.